Author Topic: Portuguese Translation of RT's Exclusive Interview, w/ Julian Assange about TWT  (Read 2999 times)

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Offline espinhodopequi

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"This article has been translated by a volunteer translator. Neither WL or The Official WikiLeaks Forum shall be held accountable for errors. The reader is welcome to check him/herself the original source linked below, and to comment if there is an error or misinterpretation. If an error is identified we shall endevour to correct it."

"Este artigo foi traduzido por um tradutor voluntário. Nem a organização WikiLeaks ou o Fórum Oficial WikiLeaks devem ser responsabilizados por erros. O(a) leitor(a) é bem-vindo(a) a verificar ele / ela mesmo(a) as fontes originais nos links abaixo, e comentar se há um erro ou má interpretação. Se um erro for identificado vamos procurar corrigi-lo."

RT - RT's Exclusive Interview, with Julian Assange about "The World Tomorrow"

on 16 Apr 2012, English

article URL: http://www.rt.com/news/rt-assange-show-wikileaks-125/
video: http://assange.rt.com/revealed-assange-pre-show-full-interview/

WLF URL: http://www.wikileaks-forum.com/index.php/topic,10499.0.html including English Transcript
WLF URL - portuguese translation: http://www.wikileaks-forum.com/index.php/topic,11373.0.html

Translator: espinhodopequi, on 19 May 2012, at http://espinhodopequi.wordpress.com/2012/05/14/traducao-rt-entrevista-exclusiva-com-julian-assange-sobre-the-world-tomorrow/

RT - Entrevista Exclusiva, com Julian Assange sobre "The World Tomorrow", em 16 de abril de 2012

RT: Porque você decidiu fazer seu próprio programa e se tornar um apresentador?

Julian Assange: Bem, existem duas razões. Antes de tudo, estando sob prisão domiciliar por tanto tempo, é bom para receber um visitante ocasional e para aprender mais sobre o mundo. E dado que as conversas que nós estávamos tendo são bastante interessantes, porque não filmá-las e mostrar às outras pessoas o que estava acontecendo.
Esta é uma razão. A segunda razão é que, como alguém que concedeu muitas entrevistas antes, e alguém que foi alvo de estilos de entrevistas muito agressivos, eu percebi que eu não estava revelando muito nessas entrevistas ao todo. Bastante rapidamente você aprende a conceder somente o seu tipo de resposta defensiva padrão para que as pessoas não tirem o que você disse fora de contexto.
E eu queria ter um tipo diferente de abordagem com outras pessoas. E enquanto essa abordagem foi difícil em alguns aspectos, eu penso que também teve sucesso em outros aspectos, e revelou lados de pessoas muito interessantes e importantes que normalmente não são revelados porque elas não estão lidando com um entrevistador padrão, elas estão lidando com alguém que está sob prisão domiciliar, que passou por problemas políticos com que elas podem simpatizar.

RT: E quão fácil você achou ser mudar-se de um lado da mesa para o outro, se tornando o entrevistador?

JA: Foi muito mais difícil do que eu pensava que era. No começo, muito difícil. Com o passar o tempo, como tudo, você começa a ficar melhor naquilo.
As restrições da mídia, as restrições de tempo, as restrições de câmeras, as restrições de pessoas amontoadas no espaço íntimo onde a entrevista ocorre, realmente canalizam os tipos de conversações que podem ocorrer em uma direção específica.
Então você vê, por exemplo, quando fazemos uma transmissão via satélite e só temos 45 minutos, na realidade a interação que está ocorrendo através de uma tradução, a interação é muito mais semelhante a uma entrevista convencional. Onde nós temos este luxo de três horas e recebendo as pessoas aqui pessoalmente, move-se muito mais para um tipo de conversa.
Então eu tenho mais simpatia por essas pessoas que estão me entrevistando também entendendo que as restrições da mídia são um dos fatores perniciosos, mas elas não são o único fator pernicioso, existem também as restrições da organização por trás da mídia.

RT: Então como é que você conheceu a RT, e por que você escolheu a RT para a transmissão de seu primeiro programa?

JA: Nós vemos a reportagem da RT sobre os ataques à WikiLeaks há anos, e essa reportagem geralmente tem sido de bastante apoio. Quando estávamos procurando qual transmissora internacional nós desejávamos fazer parceria, em oposição a emissoras nacionais, nós procuramos qual era a penetração nos Estados Unidos. E a RT teve maior penetração nos Estados Unidos do que Al Jazeera.
A BBC é a candidata na dianteira mas a BBC tem agido de maneira hostil em relação a nós então não consideramos que a BBC seria uma parceira apropriada.

RT: A RT tem a intenção de proporcionar este tipo de visões alternativas a aquelas transmitidas pelos canais internacionais convencionais. A sua escolha da RT como plataforma para seu programa de entrevista é seu tipo de resposta a essa mídia convencional?

JA: É uma resposta vendo que um monte de coisas que estamos tentando reportar não têm sido relatadas com precisão na imprensa convencional. Existem muitas, muitas boas exceções mas quando olhamos para redes internacionais existem apenas duas que valem a pena falar sobre, e essas são a RT e a Al Jazeera. As outras redes internacionais, na opinião da WikiLeaks, estão muito ocupadas considerando suas próprias agendas nacionais.
Agora, se a WikiLeaks estivesse produzindo material volumoso sobre a Rússia, talvez essa situação fosse diferente. Mas no caso que estamos no momento, o nosso maior confronto é com o Ocidente, apenas de termos publicado material para muitos países.
A RT é uma parceira natural para produzir nosso material. O mesmo sobre a Al Jazeera mas a RT possuiu maior penetração nos Estados Unidos.

RT: E por que é que a WikiLeaks não tem produzido grandes quantidades de informações sobre a Rússia?

JA: Bem, na verdade nós temos produzido muitas informações sobre a Rússia, mas a partir de fontes que não eram russas. Por exemplo, nos telegramas diplomáticos dos EUA, muito material surgiu sobre corrupção na Rússia, surgiu a partir da perspectiva dos EUA sobre o que era a corrupção na Rússia. Anteriormente, nós produzimos material a partir da Rússia, e bem mais material sobre a China.
Eu sempre me perguntei por que nós nunca recebemos essa quantidade de material da Rússia, e, eu penso que é principalmente devido a, bem, o website não é em russo, é em inglês; mas também o setor russo de internet, a comunidade russa da internet é muito vibrante, Então você vê, essas coisas estão sendo discutidas na comunidade russa da internet, e nesse grau não há tal necessidade para a WikiLeaks porque existem sites russos de vazamentos, através de blogs russos.

RT: O programa será lançado na RT. Mas você recebeu propostas de outros canais? Mais alguém se aproximou de vocês com ofertas de compra?

JA: Sim, nós recebemos ofertas de outros canais, e estamos sublicenciando este programa a outras transmissoras nacionais. A RT é nossa transmissora internacional, no sentido de que a CNN, ou a Al Jazeera, ou a BBC é uma emissora internacional.

RT: Vocês trabalharam de perto com o que chamamos de mídias convencionais no passado. O que isso lhes ensina sobre elas?

JA: Qualquer organização, uma vez que cresce a um tamanho suficiente e tenha influência suficiente, começa a ter de fazer compromissos políticos. E as organizações de mídia, por sua própria natureza, estão engajadas na esfera política. Então os editores de organizações de mídia têm que se sentar à mesa com grupos poderosos, e elas começam a ser capturadas por esses grupos poderosos.
Então, descobrimos que trabalhar com elas, quando tentamos publicar nosso material através de organizações, por exemplo, como o The Guardian, ou o New York Times, ou a BBC, que essas organizações se auto-censuram de uma maneira tremendamente freqüente e de uma maneira que é contra seus valores declarados. Não é apenas contra os nossos valores.
É contra seus valores declarados. E, em alguns casos, até mesmo contra os contratos que nós fizemos com essas organizações.

RT: Você mencionou várias publicações e canais específicos aí. Que resposta vocês esperam das mídias de massa internacionais, com algumas das quais vocês já brigaram. Vocês esperam um nível de crítica, e em caso afirmativo, por quê?

JA: É claro. Quero dizer, essas organizações, como o New York Times, com a qual nos recusamos a trabalhar com base no que eles estavam fazendo em 2010 - embora nós trabalhemos com jornalistas individuais no New York Times e jornalistas individuais em outras instiuições com as quais nós tivemos problemas. Eu presumo que elas vão atacar, assim como elas fazem quando qualquer mídia competidora libera uma grande história. Elas sempre escrevem contra a história.

RT: Que forma vocês esperam que esta crítica tome?

JA: Vamos imaginar um tipo de uma óbvia. "Lá está Julian Assange, combatente inimigo, traidor, indo para a cama com o Kremlin e entrevistando radicais de todo o mundo." Mas eu acho que é um tipo de ataque bem trivial a um personagem. Se olharem na verdade como o programa é feito: nós fazemos, nós temos controle editorial completo, nós acreditamos que todas as organizações de mídia tem um ângulo, todas as organizações de mídia têm uma pauta.
A RT é uma voz da Rússia, então ela olha para as coisas a partir da agenda Russa. A BBC é uma voz do governo Britânico. Voice of America é uma voz do governo Americano. É o choque dessas vozes juntas que revela a verdade sobre o mundo como um todo.
Nosso problema no momento é que estamos em um confronto legal com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos como resultado de nossa recente publicação. Portanto, é muito natural. Para podermos falar sobre o como vemos o mundo e figuras interessantes no mundo, precisamos de parcerias com organizações que sejam realmente capazes de falar.
Infelizmente, a maioria das grandes redes nos Estados Unidos não são capazes agora de criticar efetivamente o abuso do poder militar dos EUA.

RT: Vocês foram contidos por políticas editoriais enquanto vocês estavam fazendo o programa para a RT?

JA: Não, de forma alguma. Nós fazemos o programa. Ele é feito por uma companhia produtora britânica independente. A transmissora internacional que nós escolhemos é a RT. Então, em nenhum estágio nenhum controle editorial foi exercido. Em nenhum estágio ele foi capaz de ser exercido pela RT.

RT: E vocês descobriram que isso é verdade?

JA: Sim, absolutamente. Não houve nenhuma interferência em nosso programa de modo algum.

RT: Quais são os termos e os detalhes de seu contrato com a RT?

JA: Então, que nós somos obrigados a fornecer uma introdução, o programa, e depois os créditos, e é isso.

RT: Vocês estão preocupados com críticas devido ao fato de seu programa estar sendo lançado pela RT?

JA: Estamos sempre preocupados com ataques giratórios e campanhas de difamação porque na verdade eles são eficazes, quer dizer, nós somos uma organização que vive no vai e vem do debate político internacional e as pessoas sempre tentam mudar as percepções de uma forma ou de outra, por isso temos de lutar contra tentativas de difamação com fatos, às vezes isso funciona, às vezes isso não funciona.

RT: Alexander Lebedev, o proprietário do The Independent e do Evening Standard disse que é 'Díficil imaginar um final mais miserável para um desafiante da ordem mundial do que como um empregado de uma 'Russia Today' controlada pelo estado.' Qual é sua resposta a críticas como essa?

JA: Bem, esse é Alexander Lebedev, na verdade, fizemos parceria com o jornal de Lebedev em Moscou, Novaya Gazeta, e o The Independent, em Londres. Mas, você sabe, apesar de, quando os bancos ucranianos de Lebedev foram alvo de incursão policial, ele disse que seus bancos ucranianos foram alvo de incursão policial não como resultado de evasão fiscal, mas porque ele havia feito uma parceria com a WikiLeaks. Sabemos que isso não é verdade porque isso foi apenas dois dias depois. Então, Lebedev se engaja em seu próprio tipo de... você sabe, ele é um... ele é uma figura de negócios políticos interessante, e se engaja em suas próprias considerações táticas sobre quem diz que está dentro, e quem diz que está fora.

RT: Quando vocês estavam escolhendo os convidados, quais foram seus critérios?

JA: O único maior critério é que eles apareçam no programa. E isso é bastante interessante, porque existem convidados que não conseguimos alcançar. Então, vamos falar sobre esse tipo de censura oculta. Então, nós continuamos tentando mas...
Ai Weiwei. Ele atualmente está encarcerado sob prisão domiciliar na China. Sua visão é de que sua situação política torna extremamente difícil para ele falar com a imprensa de qualquer modo.
Khodorkovsky, preso na Rússia, foi um oligarca bilionário que foi encarcerado.
Gostaríamos de falar com ele, mas não podemos, ele está na prisão.
Então, se olharmos para algumas das pessoas com acesso a informações privilegiadas das grandes empresas dos EUA com as quais temos contato pessoal indireto, então, algumas delas dizem "Não, isso é muito perigoso, na opinião do Governo dos EUA." "Sim, eu gostaria de ajudá-lo; sim, eu gostaria de aparecer no programa mas politicamente é muito perigoso."
Então, vamos aos outros grupos de pessoas que escolhemos. E nós realmente alcançamos a maioria delas. São pessoas que normalmente não têm voz.

RT: Será que algum dos convidados que vocês alcançaram, vocês acham que apareceria em uma rede de TV convencional?

JA: Alguns poderiam, outros não poderiam. Alguns já apareceram, muito poucos ainda não apareceram. O que é justo dizer é que a maioria do que eles me disseram eles não poderiam dizer em uma rede de TV convencional.
Isso não é apenas por causa da auto-censuras das redes. É por causa do meu estilo de interação como alguém que foi entrevistado pela mídia muitas e muitas vezes. Então, eu queria algo que olhasse para a profundidade nas situações que eles tinham. É por isso que eu estou puxando á história deles sobre a situação deles a partir de suas próprias perspectivas, e não apenas algo que se encaixaria em uma frase de efeito de mídia. Em se tratando de mim, eles entendem que eles não estão apenas lidando com um apresentador.
Eles não estão apenas lidando com um repórter. Eles estão lidando com alguém que tem passado por uma situação política muito penosa, perigosa e difícil. Então eles podem falar, até certo ponto, como iguais, porque eles entendem que eu entendo.
Por exemplo, a maioria dos convidados que eu entrevistei estiveram na prisão em algum momento. Eu estive na prisão. Assim, imediatamente existe um tipo de afinidade presente que não está presente em uma entrevista regular.

RT: Vocês convidariam alguém da oposição política da Rússia para aparecer no seu programa? E se assim for, quem vocês acham que poderia ser?

JA: Sim, nós convidamos pessoas da oposição política da Rússia. O ciclo eleitoral russo interferiu nisso por causa de suas agendas e disponibilidades. Mas vamos ver se vai sair. Nós convidamos quase todas as figuras proeminentes. E convidamos pessoas do governo russo também - para tentar conseguir algum equilíbrio.

RT: Vocês irão utilizar algum dado novo da WikiLeaks para este projeto?

JA: Na realidade nós usamos para algumas das perguntas com algumas pessoas. Mas, em geral, nós não estamos usando esse programa para apresentar novos dados da WikiLeaks. Mas para os convidados ocasionais as informações que temos são muito interessantes.

RT: Algum de seus convidados é diretamente ligado a informações da WikiLeaks?

JA: Sim. Quase todos os convidados estão em nossas informações de um modo ou de outro.

RT: Até que ponto a restrição de sua liberdade de movimento meio que interfere na elaboração dos programas?

JA: A restrição da minha liberdade de movimento é o que causou os programas. Agora, você sabe, estou há mais de 460 dias detido sem acusação. E eu estava acostumado a ir ao redor do mundo de um lugar para outro, onde estavam as maiores dinâmicas políticas, onde poderíamos ser de mais ajuda. Então, é muito isolamento, para ser franco, ficar preso no interior inglês sob essas condições.
Então, isso tudo começou como uma maneira de trazer as pessoas até mim, para que pudéssemos entender o que estava realmente acontecendo no mundo, porque nós precisamos entender, como uma parte do funcionamento da WikiLeaks, o que está realmente acontecendo.

RT: Você fez um discurso para o 'Occupy Camp' em Londres. O que vocês acham sobre o movimento 'Occupy' (Ocupe) como um todo? Vocês os vêem como seus apoiadores?

JA: Eles tem sido de muito apoio em todo o mundo e esse apoio tem sido tanto sobre a superfície, quanto sob a superfície.
No Ocupe Nova Iorque, o caminhão da WikiLeaks esteve lá no primeiro dia, nós tivemos uma equipe lá no primeiro dia. Esta conexão, esta conexão entre nós e o Ocupe tem existido desde o início de uma forma ou de outra. Quando fizemos a cobertura do episódio Ocupe procuramos saber "Por que é?"; porque na nossa perspectiva não é como se houvéssemos planejado o Movimento Ocupe, mas sim que muitos de nossos apoiadores de alguma forma tornaram-se também envolvidos com o Ocupe. Por exemplo, uma das diretoras do Movimento Ocupe Londres, embora ela não se descreva dess forma, é a Naomi, que está no episódio Ocupe, e ela também é a chefe da Campanha Bradley Manning em Londres apenas por coincidência.

RT: Você está com medo, que se você for extraditado para a Suécia, você será movido muito rapidamente de lá para os EUA?

JA: Bem, "medo' provalmente não é a melhor palavra para usar; quero dizer, estamos enfrentando certos ataques legais, estamos enfrentando certos ataques políticos e também nos adaptamos a esses ataques.
Então nossos pesquisadores e nossa equipe legal tem observado qual é a realidade da situação nos EUA, e a realidade é que tem existido um Grande Júri secreto acontecendo lá em Washington - não mais muito secreto, porque citações e outras coisas surgiram disso, tentando me indiciar por espionagem.
E então em nossa divulgação da Stratfor recente, nós encontramos de fato que o ex-agente do escritório do Serviço de Segurança Diplmática dentro do Departamento de Estado estava enviando notificações que havia de fato uma acusação formal e que todos deveriam manter isso em segredo.
Da mesma forma, telegramas enviados de Washington para a Austrália afirmavam que a investigação sobre a WikiLeaks pelo governo dos EUA era de escala e natureza sem precedentes e que a investigação sobre mim pessoalmente estava ativa e vigorosa.
E tem havido, você sabe, há uma grande quantidade de documentos agora entre os EUA e a Austrália, dentro dos EUA, nessa investigação.
Em dezembro de 2010, o The Independent publicou um fragmento sobre como os EUA já estavam em conversas formais com a Suécia, sobre a minha extradição adiante.
Isso não é para dizer que a Suécia é o único perigo - longe disso, a cada dia que eu sento aqui sob prisão domiciliar, corremos o risco de os EUA irão simplesmente desistir de esperar pela Suécia e apenas extraditem diretamente a partir do Reino Unido - as leis de extradição no Reino Unido também são muito ruins, as leis na Austrália agora também estão muito ruins. Elas foram alteradas há apenas duas semanas, na Austrália, tornando muito fácil extraditar cidadãos australianos por crimes políticos e até mesmo crimes leves por menos de doze meses de prisão.

RT: O relator especial da ONU disse que o tratamento dos EUA em relação a Bradley Manning já beirava a tortura, basicamente. Cruel, desumano, degradante. Você tem medo de tortura se você for extraditado para os EUA?

JA: O relator especial da ONU descobriu que o tratamento dos EUA em relação a Bradley Manning era cruel, incomum e degradante; essa foi a conclusão dele. E que, também poderia ser considerado tortura, mas ele foi impedido de conversar com Bradley Manning em particular.
Ao contrário de todos os outros tipos de interação que eles poderiam ter, os EUA concordaram como parte de um tratado que relatores especiais da ONU podem conversar com prisioneiros em privado. Isto está sendo impedido no caso de Bradley Manning.
Ele está detido sem julgamento há 667 dias.
Então, sim, então nós estamos preocupados. O advogado de Bradley Manning diz que a razão pela qual ele tem sido tratado dessa forma é para apertá-lo para fazer uma falsa confissão sobre mim, de modo que o tratamento dele é uma alavanca para tentar e conseguir pegar pegar a mim e pegar a organização.

RT: Vocês se sentem responsáveis por isso?

JA: Bem, na medida em que a WikiLeaks é uma organização de publicação e nós estamos encarregados de publicar segredos que revelem várias formas de abuso, e nós fizemos isso nesse caso e eles agarraram esse jovem e o colocaram na prisão. Talvez não responsáveis por isso, mas em parte nós temos o dever de cuidado quanto à situação, porque se ele é uma fonte ou ele não é uma fonte, ele é um jovem que está embrulhado em nosso trabalho de alguma maneira.

RT: Julian Assange, muito obrigada.

JA: Obrigado.

[NT - notas do tradutor]
« Last Edit: May 20, 2012, 10:14:10 AM by Green »